INCOMPETENCE DAY

Artigo

Por Luciano Pires

INCOMPETENCE DAY

Confesso que quando vi as primeiras cenas do furacão Katrina deixando Nova Orleans coberta de água, imaginei que veríamos mais um show dos Estados Unidos. Fiquei à espera de milhares de helicópteros e carros anfíbios da guarda nacional e do exército, esvaziando a cidade em algumas horas e salvando não só as pessoas, mas prédios e empresas.
Preparei-me mais uma vez para morrer de inveja da competência daquela gente em resolver os grandes problemas enquanto nós, aqui no Brazilzinho, não conseguimos nem tirar crianças das ruas. Mas… Os helicópteros não apareceram. As pessoas entraram em desespero, muitos morreram. E chegaram notícias sobre saques e uma confusão tremenda, um show de falta de informação e erros.
Era o Incompetence Day.
Ué… Cadê aquela espetacular estrutura logística e tecnológica que invadiu o Iraque? Cadê os planos e as estratégias minuciosas que garantem à maior potência do mundo a liderança política e militar? Não tinha.Pela segunda vez, a primeira em 11 de setembro de 2001, os poderosos EUA mostraram-se vulneráveis e incompetentes como qualquer pais de terceiro mundo diante das grandes catástrofes. E catástrofes anunciadas, pois tanto os atentados às torres gêmeas quanto a possibilidade de um furacão na região de Nova Orleans, tinham indícios claros de que poderiam acontecer.
Mas ninguém deu bola, o que nos dá uma pista das prioridades dos EUA.
Nos EUA de hoje, pelo menos por parte das pessoas que dirigem o país e as grandes corporações, a prioridade é a manutenção do processo de globalização. Mas não aquela globalização que nos é vendida diariamente, da distribuição de oportunidades para todos. A globalização que lhes interessa é aquele processo de mão única que protege seus interesses. E não há viés ideológico nesta análise. Lido com os estadunidenses desde 1982, tempo suficiente para entender que sua visão do mundo tem só um ângulo: o deles. E com os olhos e bolsos voltados à proteção de seus interesses econômicos pelo mundo, esqueceram-se de olhar para dentro de casa.
A passagem do Katrina, como o 11/9, é uma lição. Após 11 de setembro, os estadunidenses aprenderam onde fica o oriente médio. E depois do Katrina, descobriram o Golfo do México. Estava certíssimo quem disse que as guerras e tragédias foram o instrumento que Deus encontrou para ensinar geografia para os estadunidenses.
E a nós, brazilians, resta o consolo de saber que não estamos sozinhos. Incompetência também se escreve em inglês…

Luciano Pires é profissional de comunicação, jornalista, escritor, conferencista e cartunista, atualmente Diretor de Comunicação Corporativa da Dana.Visite o site http://www.omeueverest.com/ e
http://www.lucianopires.com.br/

4 comments

  1. O Satânico-Doutor-Bush ainda vai ter muito que justificar em casa, afinal, o aparato militar deixado em solo iraquiano, se estivesse em casa seria muito mais útil.
    Diante da tragédia alheia, não tenho coragem de dizer bem feito para os americanos, mas tenho coragem de pelo menos escrever, BEM FEITO!

  2. È isso é bom para os que ” idolatram os americanos “, os melhores de todos .
    Que não conseguem administrar seus ” furacões internos ” .

  3. Realmente lamentável!!
    Helicóptero? carro anfíbio? pelotões de elite?
    isso não te pertence maaais…
    Na verdade, não houve interesse… lógico, quase toda parte inundada era habitada por negros, sendo a maioria pobres… O racismo lá está quase estampado… Agora estão “se mexendo”… pra recolher os corpos, é claro….

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