Em memória de Gonzaguinha que completaria hoje, 60 anos.

60 anos: pequena memória para um tempo sem Gonzaguinha

Por Henrique Nunes

Um ponto de exclamação. Pela vida. Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior tinha fé, acreditava na humanidade, sobretudo no homem do Brasil. Por isso mesmo, escrachava com tantos daqueles que procuravam vendê-lo, com a mesma pungência com que tratava de abrir os olhos dos que eram vendidos. Mas Gonzaguinha subiu prematuramente, quando seu carro desatinou, após um show no Interior do Paraná. Foi na madrugada de 30 de abril de 1991. Quanta sabedoria nos traria nesses tempos de falácias e desencantos, no alto dos 60 anos que completaria hoje.

Em 80, era a Anistia, a Abertura, uma liberdade pequena, ainda economicamente cerceada. Nos versos de “Achados e perdidos”, metaforizada como uma “pequena marginal dessa imensa avenida Brasil”. Liberdade em nome da qual tantos “se entregaram por um novo dia”, e que, do seu jeito, só valia também em tom maior, quando “o nosso coração sinta/através do respeito/ o que é ser/profundamente/ uma pessoa da maior liberdade”. Então, era bem mais do que questionar aquela propaganda oficial na introdução d’ “A marcha do povo doido”, que, em tons carnavalescos, falava sério: “anistia que não permitiu ao anistiado ser reintegrado a seu trabalho”. Leia mais no Diário do Nordeste esse ótimo texto em homenagem a Gonzaguinha.

Gentileza.

Feito louco
Pelas ruas
Com sua fé
Gentileza, “o Profeta”
E as palavras
Calmamente Semeando
O amor e a vida.
Aos humanos, bichos, matas
Terra, Terra, Nossa mãe
Nem tudo apodrecido
De modo que se possa dizer
Nada presta
Nem todos derrotados
De modo que não dê para se fazer
Uma festa
E encontrar, perceber
Se olhar, Se entender
Se chegar, Se abraçar
E beijar e amar
Sem medo e segurança
O medo do Futuro
Sem medo
Da solidão
Medo da mudança
Sem medo da vida
Sem medo
Da gentileza do coração
Feito louco
Pelas ruas com sua fé
Gentileza, “O profeta”
E as palavras
Calmamente Semeando
O amor a vida
Aos humanos, bichos, plantas
Terra, Terra, Terra Nossa Mãe, ô

Fonte da letra: Rodrigo (grata pela gentileza)

5 comments

  1. Curti muito e ainda curto Gonzaguinha.
    Valeu a lembramça, Elaine, você é dez, cem, mil…
    Vou postar a foto no meu blog e direcionar a homenagem para o seu.
    Beijos.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s