UMA MULHER É PÃO-DURO OU PÃO-DURA?

Nos primórdios do século passado, vagava pelas ruas cariocas um mendigo muito popular (naquela época os mendigos eram escassos e populares). A criatura esmolava comida, sempre implorando um pedaço de pão duro. A reiteração da súplica imprimiu-lhe o apelido: Pão Duro. Falece o mendigo e descobre-se que seu refúgio abrigava uma pequena fortuna em dinheiro, contas bancárias e títulos. Quer dizer, o sujeito era mesmo mendigo por vocação, faltando-lhe apenas carteira profissional assinada pela prefeitura. E aí a expressão PÃO-DURO passou a designar o avarento e PÃO-DURISMO a sua prática, que é a inércia.

O homem sovina é pão-duro. E a mulher? É “pão-dura”? Não, porque duro é o pão e não a mulher — uma mulher pão-duro teoricamente não há de ser uma mulher dura.

Em resumo, PÃO-DURO não varia em gênero: HOMEM PÃO-DURO, MULHER PÃO-DURO. Para fazermos uma forma feminina exclusiva, teríamos de modificar o gênero dos dois elementos e dizer que uma mulher é “broa-dura” ou “baguete-dura”. E não insista, essa novidade não pega.

Antes que alguém pergunte: o plural de PÃO-DURO é PÃES-DUROS (homens pães-duros, mulheres pães-duros).

Fonte: Portugês Urgente do IG Educação. Vale a visita!

Nota: Sinceramente, eu não sabia. Daí fiquei curiosa de entender melhor sobre o Pão-Duro (Avareza e encontrei esse texto na revista paradoxo)

Afinal, o dinheiro traz felicidade?

Poupar faz bem, mas é preciso ficar atento aos exageros

Por Erika Kohler

Pão-duro, mão de vaca, mão fechada. Essas são algumas das expressões mais populares para dizer que alguém é dominado pela avareza. Mas qual é o real significado desse pecado que traz infelicidade para muitos que vivem em função dele?

A avareza se define pelo apego excessivo a alguma coisa, o que leva a pessoa a ter um grande medo de que alguma coisa vai faltar. Há uma constante percepção de escassez. Avaro, etimologicamente, é ávido de dinheiro (avidus aeris, “de cobre”) e, em grego, avareza, phylargyria, significa amor à prata. Assim, é um vício capital, porque versa sobre um bem principal entre os bens sensíveis: o dinheiro.

Mas avareza é diferente de ambição. O ambicioso se arrisca no mundo. Já o avarento não quer riscos. Além disso, ele desconhece palavras como generosidade, partilha e justiça. Ele não é útil para os outros, nem para si mesmo, pois não se atreve a gastar nem sequer consigo.

No lado mais extremo do pecado, a pessoa avarenta tem muito medo da vida. Acha que, a qualquer momento, algo ruim pode acontecer. É importante que ela esteja presa, guardada, dentro de uma cápsula, para que não se exponha a riscos. O sofrimento chega a tal ponto que muitas pessoas procuram ajuda de psicólogos e grupos de apoio.

Os psicólogos alertam que guardar dinheiro faz bem, mas que deve haver limites. Poupar uma quantia para realizar uma atividade que se deseja muito significa ser organizado, econômico e ter um objetivo.

Visão teológica
Na visão do seminarista Paulo de Tarso, a avareza vai contra tudo o que o evangelho traz na Bíblia. “A mensagem que Cristo traz pra nós é para que tenhamos bondade, generosidade e para sermos solícitos com nosso próximo. E a avareza vai contra tudo isso, porque o avarento só tem olhos pra ele mesmo e para seus próprios bens”, explica.

Ele diz ainda que o pecado não está em controlar o dinheiro e administrar os bens. “Cristo não disse para não termos riqueza, mas sim para não sermos escravos dela”, afirma.

Ficção
Na ficção, o perfil do avarento ficou marcado pelo personagem Seu Nonô, vivido por Ari Fontoura na novela Amor com amor se paga. Entre as maluquices que ele fazia sob total domínio da avareza, estava manter a porta da geladeira trancada com cadeado. Na cabeça dele isso servia para racionar a comida, já que a tranca evitava que outras pessoas, além dele, pegassem algum alimento. Além disso, ele usava velas em vez de acender as luzes da casa pra não gastar energia elétrica.

Outro personagem que também ficou conhecido nas telinhas é o Zé das Medalhas, do ator Armando Bogus, na novela Roque Santeiro. Ele era o mais bem-sucedido de todos os moradores da cidade. Enriqueceu fabricando medalhinhas do herói Roque. Ele monopolizou esse comércio e tentou expandir seus negócios para o exterior. Mas sua ganância o levou às conseqüências extremas e ele terminou morto, sufocado por centenas de suas próprias medalhas.

Leitura
Quem não conhece o Tio Patinhas? Sem dúvida, é o mais famoso avarento das histórias em quadrinhos. É a figura da avareza transformada em um personagem que tem como passatempo preferido nadar no dinheiro da sua caixa-forte.

O Tio Patinhas começou a vida como engraxate na Escócia. Lá ele recebeu a sua moedinha número 1, que se tornou o seu talismã. Ao longo dos anos a avareza transformou essa moedinha na maior fortuna de que se tem notícia na história de Patópolis. E também o tornou o pato mais avarento de todos os tempos.

Uma obra bem humorada é o Guia do Pão-duro, do jornalista carioca Gustavo Nagib. O livro dá dicas de como economizar e ser um pão-duro saudável. Gustavo resolveu escrever o livro a partir de uma experiência real que viveu e que o tornou pão-duro. A decisão veio após o término de um namoro de dois anos, durante os quais ele pagava tudo para a namorada. Três meses depois do fim do namoro, Gustavo encontrou a ex com um carro novinho em folha. Ele contabilizou tudo e chegou à conclusão de que o carro foi comprado com o dinheiro que ela economizou em dois anos de namoro, enquanto ele pagava tudo para ela.

Ainda nessa linhagem, o clássico Código dos Homens Honestos, do romancista francês Honoré de Balzac, também traz orientações ao leitor. No livro publicado em 1825, o autor aconselha a quem tenha fartura no bolso, a manter os olhos bem abertos.

E então, como você administra seu dinheiro? Você está controlado ou ele está te controlando? Para meditar um pouco, fique com a frase de Honoré de Balzac: “A avareza é um nó corredio que aperta cada dia mais o coração e acaba por sufocar a razão”.

Fonte: revista paradoXo – No menu adireita vocês poderão encontrar ótimos artigos.

Nota: Eu não sou “Pão-Duro” e muito menos “broa-dura”, mas confesso que hoje sou bem mais controlada. Aprendi a dizer não para mim mesma e para outros também.

4 comments

  1. Uma verdadeira aula de etimologia sobre o pão-dururismo, masculino ou feminino, tanto faz. Como você mesmo postou, o miserável é em si próprio e desconhece a própria razão de viver sem que seja possuidor de tudo.
    Lembro um falecido amigo que dizia, “minha mulher ama mais o dinheiro que as coisas que o dinheiro pode comprar”. Morreu `Pedrão e a mulher ficou, dormindo até hoje solitária sobre um colchão recheado de notas, mas com um travesseiro ao lado vazio de recordações que deixaram de ser vividas por pura economia.
    Feliz em muitas coisas da vida foi meu pai, que também já se foi a 25 anos. Todas as motos, carros e passeios que pode realizar ele o fez, um belo dia veio a morte, essa sócia que nunca deixa de vir para cobrar seus dividendos com a vida e o levou consigo.
    Certamente muitas estórias deve estar ouvindo até hoje de um homem, que de tão generoso nunca deu um pão duro a quem lhe pedisse, dava um pão fresco ao pedinte, como se estivesse comprando para si mesmo.
    também concordo com o texto, Cristo nos deu vida e vida em abundancia, não nos deu para reter, mas para ajudar a todos, ou como modernamente plagiou Caetano, “luxo para todos”.
    Bjs

  2. Elaine, boa noite. Uma aula perfeita e atraente. Nunca havia pensado no feminino de pão-duro, mesmo porque sou uma consumista doentia.
    Obrigada pela aula e pela dica do site.

    Beijos

  3. Cara Elaine:

    Estava vagando lá no Ozeas e achei você aqui, você esteve no meu blog recentemente e deixou um comentário bem legal, como o blig não registra o endereço eletrônico dos visitantes só hoje a ficha caiu, então aproveito para agradecer a visita e deixar o convite para voltar quando quiser, quanto ao pão durismo, não sei, conforme a idade vem chegando me sinto cada vez mais inapto a gastar dinheiro, acho que estou ficando meio pão duro sim…

    Bjs

    Marcos
    http://www.gotasdefel.blig.ig.com.br
    http://www.vinhoto.blig.ig.com.br

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