Dieta, um outro conceito

Comportamento Alimentar: Dieta, um outro conceito

Por Lia Ades Gabbay*/Especial para BR Press

Quero falar de algo que acho fundamental para que qualquer tratamento para perda de peso seja possível e dê resultados mais duradouros: a POSTURA frente à decisão de emagrecer, as ATITUDES iniciais, que incluem pensamentos.

A primeira coisa a se fazer é repensar o conceito de DIETA. Abrir mão de ter prazer em comer está tão vinculado à palavra dieta que tem gente que não se sente em dieta se não estiver comendo muito pouco ou apenas coisas que não gosta! Ou seja, só se sente em dieta quando está sofrendo!

É comum uma paciente orientada por uma nutricionista competente desconfiar da eficácia da dieta que foi preparada especialmente para ela, com paladar personalizado, justamente por ser apetitosa. “Fazer dieta é ir para a forca”, já ouvi várias vezes.

Sinceramente, quem em sã consciência vai para a forca por vontade própria, e se mantém na forca por um período considerável de tempo? Eu não. Nem ninguém.

‘Pecado’ da gula
Crenças muito comuns são repetidas e incorporadas: “Quem quer emagrecer tem que passar fome”, “trancar a boca”, etc., ressaltando o caráter punitivo da restrição alimentar. Talvez por causa do significado moral associado ao peso na nossa sociedade – quem é gordo é visto como moralmente fraco, inferior, inclusive por ele próprio. Assim, entrar num processo de perda de peso precisa significar, também, uma expiação do pecado da gula.

As pessoas pensam em dieta, também, na base do tudo ou nada. Ou faço, ou não faço: “Se comi um doce, estraguei tudo, não estou mais de dieta, vou relaxar, então, e começar de novo na segunda-feira”. Vêem dieta como um conceito estanque, A DIETA, com letras maiúsculas.

Manutenção
Neste ponto de vista, começar uma dieta significa “começar tudo de uma vez”, modificar o que se come, quando secome, com quem se come… Manter uma dieta significa manter tudo perfeito sempre, “se não, dizem que não adianta”.

Honestamente, um processo iniciado com essas ideias por trás dura, no máximo, o tempo de uma empolgação momentânea. Ou seja, está fadado ao fracasso.

É claro que a gente vai precisar fazer mudanças, comer menos de algumas coisas, mais de outras… Mas o que temos que ter em mente é que as mudanças sãodifíceis como qualquer mudança, porque não estamos acostumados aos novoscomportamentos. Temos hábitos, e somos muito apegados a eles!

Prazer modificado

Quer dizer, você pode pensar: “Eu só tenho prazer comendo do jeito que eu como hoje”. Não é bem assim. Até o prazer pode ser aprendido e modificado. É que a gente não se abre para isso, não damos a chance de gostarmos de um outro jeito de comer.

Muitas vezes escuto pacientes que fizeram dieta dizendo: “Eu até estava gostando da nova forma de me alimentar, estava me sentindo muito bem com os exercícios. Mas aí parei por causa de…”. Ou seja, a dificuldade está na manutenção dos novos comportamentos e atitudes por tempo suficiente para que se tornem hábitos. Não necessariamente no desprazer com a nova relação com o alimento e com a atividade física. Pense nisso.

Decisão prórpria

Sei que é difícil, mas o tratamento para a perda de peso deve ser encarado como uma ESCOLHA, como uma atitude consciente e não como algo forçado de fora, contra a nossa vontade, “porque somos azarados e nascemos com essa tendência a engordar”, ou “porque somos descontrolados e não temos força de vontade, por isso merecemos ser punidos”.

A decisão por perder peso deve ser encarada como uma perspectiva de mudança, não apenas em termos de dieta alimentar, mas de bem estar, qualidade de vida, de gostar mais de si mesmo.

A dieta, se for vista como castigo, se for vista como necessariamente desprazerosa, se for vista como obrigação, não como escolha, se for vista como “tudo ou nada”, nem adianta começar!

Na verdade, comer bem, de forma saudável, não significa não ter prazer em comer. Em vez de dieta, falemos então em reeducação alimentar: um processo de mudanças gradativas, persistentes. Um passo de cada vez é o segredo do sucesso, comprometendo-se sempre com algo possível, para que amanhã o nosso possível seja muito maior.

(*) Lia Ades Gabbay é psicóloga, com especialização em Psicologia do Comportamento Alimentar, Transtornos Alimentares e Obesidade. Fale com ela pelo e-mail colunistas@brpress.net , pelo Twitter @brpress e/ou Facebook.

Fonte: BrPress / Reprodução

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s