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2 comentários

  1. Olá Elaine,
    Sou uma pintora Uruguaia/brasileira, e fico muito impresionada com a literatura de cordel, assim como com o trabalho de José F. Borges. Lí um pouco o seu blog e gostaria de saber si é possivel trazer o trabalho dele para uma mostra no Uruguay.
    Acho que o Uruguay está tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe de cultura brasileira, e gostaría que se difundisse mais.
    Temos conhecimento da obra de Borges a través do livro de Galeano.
    Cualquer tipo de informação que voçê possa me dar sería de grande ajuda.
    Disculpa meu português, mas vaz anos que não o escrevo,
    Atentamente,
    Maria Noel Ibarra

  2. Dizem que é farsa, mas, para mim, “Tropa de Elite” é V de Verdade…

    Valacir Marques Gonçalves

    Sou um apaixonado pelo cinema. Vejo filmes desde menino, talvez por isso a recente morte dos mestres Antonioni e Bergman tenha me tocado. Eles marcaram o cinema. Bergman focava o sentido da vida, falava de amor e felicidade, mas deixava a idéia de que esses valores eram difíceis de serem atingidos. A solidão e a fé também eram assuntos constantes. Já Antonioni nos legou “Blow Up” que, no Brasil, foi exibido como “Depois daquele beijo”… Nessa obra percebi que as coisas são importantes conforme o interesse que despertam… Lembro de uma cena marcante: duas pessoas jogavam tênis, mas com um detalhe surpreendente: não existia a bola… Mais tarde entendi a mensagem: cada um vê o que quer, cada um vê e joga o jogo da vida de acordo com suas crenças e conveniências.

    Estou lembrando o cinema porque (finalmente) vi o fenômeno “Tropa de Elite”. Estava adiando, me preparando para assisti-lo. Procurei ler tudo o que escreviam sobre ele, fiquei impressionado com tantas opiniões contraditórias. Precisava saber porque as pessoas tomavam partido com tanta paixão. Um jornalista “televisivo” foi incisivo: “’Tropa de Elite” é F de Farsa”. Outro falou que ele faz uma apologia à tortura; já alguns disseram que é mais uma agressão à classe média… Li muitas opiniões: maravilhoso, fascista, mentiroso, perturbador, reacionário, superficial. Todos têm razão, mas o “Tropa” tem personalidade. Com ódio ou com amor, merece ser visto sem preconceitos, como deve ser apreciado um filme: como uma obra de arte que apenas imita a vida…

    Fui ver o filme com medo de gostar… Escolhi o melhor cinema, com som e imagem de primeira, que me permitisse escutar o pipocar das balas e me “levasse” para o Rio de Janeiro. Queria me sentir lá no alto do morro, na “Boca”, olhando o “gerente” administrar o “negócio”; vendo como “trabalham” os “vaposeiros”, “mulas”, “fogueteiros”, “aviões”, “pedreiros”, “soldados” e toda a gentalha que movimenta o tráfico e abastece muitos dos que se queixam da violência, mas que não se importam em financiar um negócio milionário e sujo. Olhando o filme, talvez os desavisados se convençam de que criminosos precisam ser vistos como bandidos que são, e nunca como vítimas de questões sociais. Eles sabem o que estão fazendo, eles sabem o estrago que a droga causa, conhecem a força de destruição de um AR-15 e o terror de uma pistola na cara.

    “Tropa de Elite” é um filme que impressiona porque retrata com intensidade uma criminalidade que nos degrada. A música dá o clima alertando logo: “Chegou a ‘Tropa de Elite’, osso duro de roer. Pega um, pega geral, e também vai pegar você…”. E pega! Os atores exercitam seus ofícios magistralmente, mesmo em cenas que focalizam atos cruéis e desumanos. Diálogos convincentes dão credibilidade a atuações corretas e nada caricaturais. É claro que existem situações duvidosas. Acreditei em algumas e duvidei de outras, pois continuo entre os que crêem na existência de duas espécies de tolos: os que duvidam de tudo e os que não duvidam de nada…

    O filme é comentado e discutido nas mais diversas rodas. É bom que isso aconteça. A discussão de assuntos como esse é salutar, nos faz refletir. Espero, entretanto, que a polícia não seja a única instituição dissecada e colocada com as vísceras à mostra, pois mocinhos e bandidos existem em todas as atividades. A polêmica talvez leve a algo inquietante: por que na relação polícia, advogados, promotores e juízes, somente os policiais, em sua grande maioria – que nada têm de elite – são tratados como párias? Arriscam suas vidas em troca de um salário miserável, muitos morando em lugares deprimentes, com suas famílias vivendo perigosamente, no fio da navalha, lado a lado com marginais. Quando vão perceber que essa balança precisa ser equilibrada?

    A discussão é grande, todos (inclusive eu) externam suas opiniões. Mas essa polêmica precisa servir para algo útil, ela precisa encorajar realizadores e artistas a fazerem outros tipos de abordagem. Operações como a Anaconda, Gafanhoto, Sanguessuga e tantas outras, mostraram que o reino está podre, basta lembrarmos que existem autoridades cumprindo penas e outras afastadas ou licenciadas de seus cargos… O povo brasileiro não pode esquecer disso, a podridão não pode ficar restrita à polícia. Focalizar somente um segmento mal pago, vilipendiado e estressado não é justo. Precisamos ver outras “Tropas de Elite” (elites de verdade) sendo discutidas – mesmo que seja no cinema…

    Para lembrar: Não há prêmios nem castigos, há conseqüências…

    e-mail vala1@uol.com.br
    blog do vala – http://www.valacir.com

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